O que a BNCC diz sobre o protagonismo dos alunos?

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Protagonismo dos alunos na BNCC
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Saiba o que a Base Nacional Curricular defende sobre o protagonismo dos alunos e como as escolas podem atingir esse objetivo.

As escolas são o espaço onde as crianças se desenvolvem diariamente, aprendendo sobre si mesmas e ao se relacionar com o próximo. Os alunos aprendem, desde seus primeiros anos, muito mais do que os conteúdos disciplinares.

Os professores e os métodos pedagógicos têm papel importante na transformação dos alunos em cidadãos éticos, críticos e reflexivos. Para orientar esse trabalho tão essencial para a sociedade, foi desenvolvida a Base Nacional Comum Curricular.

A famosa BNCC define competências que os alunos devem desenvolver em cada fase da educação. Em vigor desde 2018, a Base propõe que as crianças sejam protagonistas de seus próprios aprendizados, tendo cada vez mais voz e participação nos processos de aprendizagem.

Veja abaixo todos os detalhes sobre essa proposta e como é possível incentivar o protagonismo dos alunos!

O que é a BNCC?

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de caráter normativo que define o conjunto de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas da Educação Básica. Ela tem o objetivo de assegurar a todos os mesmos direitos de aprendizagem, em conformidade com o Plano Nacional de Educação (PNE).

Isso significa que a elaboração dos currículos nacionais deve ser norteada pela BNCC, a fim de garantir a todos os estudantes uma formação integral que os prepare para enfrentar os desafios da vida, construindo uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva.

As competências da BNCC

Hoje o ensino conteudista, baseado principalmente na transmissão de conteúdos para os estudantes, já está ultrapassado. O mundo se transformou profundamente nas últimas décadas e agora a educação precisa acompanhar as mudanças para cumprir seu papel na sociedade.

Muito mais do que acumular informações, o aluno precisa cada vez mais reconhecer-se em seu contexto histórico e cultural, comunicar-se, ser criativo, crítico, aberto ao novo, colaborativo e responsável. Isso requer o desenvolvimento de competências para aprender a aprender, saber lidar com a informação cada vez mais abundante na cultura digital, e ser proativo para identificar problemas e buscar soluções.

Por isso a Base Nacional se divide em competências e habilidades que o aluno deve desenvolver ao longo de toda a Educação Básica. São dez competências gerais que garantem, no âmbito pedagógico, os direitos de aprendizagem e desenvolvimento do estudante.

Veja abaixo um resumo das 10 competências previstas no documento, de acordo com o infográfico criado pelo Instituto Porvir:

1. Conhecimento

O que é: Valorizar e utilizar os conhecimentos sobre o mundo físico, social, cultural e digital.

Para que serve: Entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar com a sociedade.

2. Pensamento científico, crítico e criativo

O que é: Exercitar a curiosidade intelectual e utilizar as ciências com criticidade e criatividade.

Para que serve: Investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções.

3. Repertório Cultural

O que é: Valorizar as diversas manifestações artísticas e culturais.

Para que serve: Aproveitar e participar de práticas diversificadas de produção artístico-cultural.

4. Comunicação

O que é: Utilizar diferentes linguagens para se expressar e interagir em diversos contextos.

Para que serve: Expressar-se e partilhar informações, experiências, ideias, sentimentos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.

5. Cultura Digital

O que é: Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de forma crítica, significativa e ética.

Para que serve: Comunicar-se, acessar e produzir informações e conhecimentos, assim como resolver problemas, exercendo protagonismo.

6. Trabalho e projeto de vida

O que é: Valorizar e apropriar-se de conhecimentos e experiências.

Para que serve: Entender o mundo do trabalho, podendo fazer escolhas de acordo com seu projeto de vida, com cidadania, liberdade, autonomia e responsabilidade.

7. Argumentação

O que é: Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis.

Para que serve: Formular, negociar e defender ideias, com base em direitos humanos, consciência ambiental e ética.

8. Autoconhecimento e autocuidado

O que é: Conhecer, compreender e respeitar a si mesmo a partir da diversidade humana.

Para que serve: Cuidar da saúde física e emocional, reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.

9. Empatia e cooperação

O que é: Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação.

Para que serve: Fazer-se respeitar e promover o respeito ao outro, de acordo com os direitos humanos, com acolhimento e valorização das diversidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

10. Responsabilidade e cidadania

O que é: Agir individualmente e de forma coletiva com autonomia, responsabilidade, flexibilidade e determinação.

Para que serve: Tomar decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

O protagonismo dos alunos segundo a BNCC

A BNCC defende a aplicação dos conhecimentos na vida real, a importância do contexto para dar sentido ao que se aprende e o protagonismo do estudante, tanto em sua aprendizagem como na construção de seu projeto de vida. Curiosamente, a palavra protagonismo aparece mais de 60 vezes no documento completo da Base.

O protagonismo pode ser entendido como a capacidade de enxergar-se como agente principal da própria vida, responsabilizando-se por suas atitudes, distinguindo as suas ações das dos outros, e expressando iniciativa e autoconfiança. O aluno protagonista acredita que pode aprender e encontra as melhores formas de fazer isso, não apenas individualmente, mas atuando de forma colaborativa e participativa no contexto escolar.

Como incentivar o protagonismo em cada fase

A Base Nacional Comum Curricular inclui propostas de incentivo ao protagonismo dos alunos da Educação Infantil aos anos finais do Fundamental II.

Educação Infantil

Na primeira etapa da Educação Básica, a BNCC seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento para as crianças: conviver, brincar, participa, explorar, expressar e conhecer-se.

Nessa fase deve-se garantir que os alunos exercitem seu protagonismo tanto na criação como realização das atividades cotidianas em sala de aula, na escolha das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo linguagens e elaborando conhecimentos.

É importante incentivar cada aluno a tentar soluções, perguntar e interagir, em um processo que muito mais ligado às possibilidades abertas pelas interações infantis do que a um roteiro de ensino preparado apenas pelo professor ou professora.

Ensino Fundamental

Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o trabalho deve ser continuado a partir das experiências na educação infantil, com a valorização das situações lúdicas de aprendizagem. Já nos anos finais o foco será a ampliação dos conhecimentos, com desafios de maior complexidade, dando outro significado para as aprendizagens dos anos anteriores.

A intenção é que a escola proporcione um ambiente, projetos e práticas pedagógicas favoráveis para que a criança e o adolescente desenvolvam cada vez mais sua autonomia. Essa autonomia vale tanto para a administração dos seus próprios estudos, quanto para a sua atuação em sociedade e para a construção do seu projeto de vida.

Alunos protagonistas através da leitura

Crianças protagonistas nos livros personalizados

Sabemos a importância da leitura desde a primeira infância. Agora a Base Nacional Comum Curricular amplia este olhar, no momento que propõe que o aluno seja sujeito da sua própria história, construindo com sua identidade pessoal e coletiva através do brincar, da imaginação, da fantasia, da vivência, da experimentação e elaboração.

Nas escolas, é importante desenvolver projetos que tenham um olhar único, de um para um, ou seja, projetos em que a criança seja protagonista da sua construção e que seu aprendizado passe a ser efetivo, porque foram estabelecido vínculos no processo como um todo.

Para isso a criança deve se apropriar do conhecimento por meio interações com as outras crianças e os familiares, ampliando a aprendizagem, o desenvolvimento e a socialização. O professor, como facilitador deste processo entre família e escola, tem o papel de refletir, selecionar e organizar um conjunto de práticas e interações que sejam significativas para os estudantes.

Ter uma ferramenta que proporcione desenvolver o papel ativo no aprendizado leva o aluno a construir significados sobre si, os outros e o mundo social. A Dentro da História enxerga os livros personalizados como recursos inovadores para possibilitar esse aprendizado ativo, colocando literalmente a criança como protagonista de uma história e de um projeto que incentiva o desenvolvimento integral e multidisciplinar, totalmente alinhado com a proposta da BNCC.

Escola Dentro da História

No projeto Escola Dentro da História, cada aluno recebe um livro personalizado no qual ele é o personagem principal, aparecendo na história toda e interagindo com outros personagens do universo infantil, como a Turma da Mônica. Esse recurso de personalização possibilita a identificação e a conexão com a leitura, assim como muitos outros desdobramentos e atividades envolvendo toda a comunidade escolar – estudantes, professores e famílias.

Veja abaixo o depoimento de professoras da educação infantil que aderiram ao projeto:

Assim, a leitura potencializada pela personalização desenvolve a autoestima e retém significativamente o aprendizado contextualizado. A criança se apropria de um conhecimento de empoderamento, levando-a a ter um olhar coletivo e passando a compartilhar este conhecimento de forma natural. Com isso, a avaliação do aprendizado é uma prática constante e informal, tendo como objetivo a aprendizagem real, sempre tendo como foco o protagonismo alinhado aos princípios da Base Nacional Comum Curricular.

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Cláudia Onofre pedagoga


Cláudia Onofre é mãe da Laís e da Letícia, pedagoga e responsável pelos projetos da Dentro da História de incentivo à leitura nas escolas.

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